Uma operação de combate ao crime organizado foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (29) em Santa Catarina e no Paraná, tendo como principal alvo integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), investigados por envolvimento com o tráfico de drogas e outros crimes. Denominada Operação Tabuleiro, a ofensiva busca desarticular a estrutura de comando da facção, especialmente nas regiões Oeste e Extremo Oeste catarinense.
Coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), em apoio à 39ª Promotoria de Justiça da Capital, a ação prevê o cumprimento de 16 mandados de prisão preventiva e 29 de busca e apreensão, expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina.
As diligências acontecem simultaneamente em nove municípios catarinenses: São Miguel do Oeste, Chapecó, Abelardo Luz, Irani, Xaxim, Zortéa, Concórdia, Joinville e Itajaí. No Paraná, as equipes atuam em Francisco Beltrão e União da Vitória. Entre as cidades envolvidas estão Irani e Zortéa, localizadas no Meio-Oeste de Santa Catarina.

Operação também tem como alvo integrantes que atuavam de dentro dos presídios
Uma das frentes da investigação apura a continuidade das atividades criminosas por integrantes da facção que já estavam cumprindo pena. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), informações reunidas durante as investigações indicam que suspeitos mantinham vínculos com a organização e participavam de suas atividades mesmo dentro do sistema prisional. Por esse motivo, parte das ordens judiciais também está sendo cumprida em unidades penitenciárias.
Até a divulgação do primeiro balanço, as forças de segurança haviam registrado duas prisões em flagrante por crimes relacionados ao tráfico de drogas e à posse irregular de munições. Esses procedimentos são distintos dos mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. Os trabalhos continuam, e os materiais recolhidos durante as buscas serão analisados para identificar possíveis novos envolvidos e aprofundar as investigações.

Polícia Civil de Joaçaba e Campos Novos participa da operação
A mobilização reúne diferentes forças de segurança de Santa Catarina. A Polícia Penal empregou 118 agentes, incluindo equipes especializadas em inteligência, operações táticas, busca e captura e atuação com cães. A Polícia Militar também participa, com 18 policiais e apoio do Canil. Já a Polícia Civil mobilizou profissionais da Delegacia de Polícia da Fronteira (DIFRON) e das Delegacias Regionais de Polícia de Joaçaba e Campos Novos. O Serviço Aeropolicial (SAER) também presta apoio às equipes envolvidas. A atuação conjunta busca garantir o cumprimento das determinações judiciais tanto em áreas urbanas quanto no interior das unidades prisionais.

Investigação é desdobramento de operações anteriores
A Operação Tabuleiro dá continuidade a investigações desenvolvidas pelo Ministério Público desde 2020, quando foi realizada a Operação Maserati. As apurações avançaram com a Operação Coluna Sul, deflagrada em julho de 2026, que resultou no cumprimento de 132 mandados de busca e apreensão e 147 prisões em seis estados brasileiros.
De acordo com o MPSC, as informações obtidas nessas investigações permitiram identificar outros possíveis integrantes do PCC e compreender melhor a distribuição de funções dentro da organização. Entre os investigados nesta nova fase estão pessoas que já haviam sido condenadas em procedimentos anteriores e que, segundo os indícios reunidos, teriam mantido ligação com a facção.
A investigação aponta a existência de uma estrutura hierárquica, com divisão de responsabilidades e mecanismos de coordenação entre integrantes que atuam em diferentes estados. O nome Tabuleiro foi escolhido a partir de uma expressão identificada nos registros internos da própria organização. Conforme o Ministério Público, o chamado “Tabuleiro dos Estados” seria utilizado para organizar a distribuição de integrantes, suas funções e as regiões sob responsabilidade de cada um.

As investigações permanecem sob sigilo, e novos resultados poderão ser divulgados conforme o andamento das diligências.
Fonte: MPSC
Rádio Líder