Motorista indiciado pela morte de Sarah Held deixa a prisão após 77 dias

imagem da atleta Sarah Held e do acidente na SC-150.Atleta Sarah Held, de 18 anos, morreu em um grave acidente na SC-150.Foto: Montagem/ND Mais

O motorista de 21 anos indiciado pela morte da atleta campeã mundial de karatê Sarah Louise Held, de 18 anos, natural de Capinzal, no Meio-Oeste catarinense, deixou a prisão após 77 dias e passará a responder ao processo em liberdade. A decisão foi tomada durante audiência realizada na quarta-feira (29) e confirmada pela assessoria do TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina).

A liberdade provisória foi concedida mediante o cumprimento de medidas cautelares. Entre elas, o acusado está proibido de dirigir veículos, frequentar locais onde haja venda de bebidas alcoólicas e manter contato com familiares da vítima ou testemunhas do processo. Também deverá manter o endereço atualizado junto ao Poder Judiciário.

O réu estava preso preventivamente desde 13 de maio, quando o Tribunal de Justiça acatou recurso apresentado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina).

Acidente tirou a vida de jovem campeã mundial

Sarah Louise Held morreu em dezembro de 2025, após um grave acidente na SC-150, entre Joaçaba e Lacerdópolis, no Meio-Oeste catarinense.

De acordo com o inquérito da Polícia Civil, o suspeito teria ingerido grande quantidade de bebida alcoólica durante uma festa e não apresentava condições de dirigir no momento da colisão.

Sarah Held morreu na véspera da formatura do ensino médio.Sarah Held morreu na véspera da formatura do ensino médio.Foto: Divulgação/ND Mais

O acidente ocorreu por volta das 4h. Quando equipes do Corpo de Bombeiros Militar chegaram ao local, a atleta já estava sem vida.

Prisão ocorreu após recurso do Ministério Público

Após concluir as investigações, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do investigado, mas o pedido foi negado pela Justiça em primeira instância.

O Ministério Público recorreu ao Tribunal de Justiça, que reformou a decisão e determinou a prisão preventiva.

O investigado se apresentou espontaneamente na delegacia acompanhado por advogados e foi encaminhado ao sistema prisional de Joaçaba, onde permaneceu preso até a audiência desta semana.

Um grave capotamento na SC-150, em Lacerdópolis, deixou uma jovem morta e outros dois feridos.Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros Militar/ND MaisUm grave capotamento na SC-150, em Lacerdópolis, deixou uma jovem morta e outros dois feridos.Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros Militar/ND Mais

Sonhos interrompidos aos 18 anos

A morte de Sarah causou grande comoção em Santa Catarina.

A jovem faleceu na véspera da formatura do terceirão no Colégio Unoesc de Joaçaba, cerimônia que acabou cancelada em razão da tragédia. Dias antes, havia comemorado a aprovação no curso de Direito da Unoesc.

Nos tatames, Sarah também construía uma trajetória de destaque. Em 2024, conquistou o título de campeã mundial de karatê em Fortaleza (CE). Em 2025, foi vice-campeã dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina, em Rio do Sul.

Defesa afirma que prisão era desnecessária

Em nota, os advogados Rhilary Ester Costiche  Raí Marcos Pelisser Moreira, do escritório Bundchen Advogados Associados, afirmaram que, desde o início da persecução penal, sustentam que a prisão preventiva do jovem de 21 anos não preenchia os requisitos previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal.

Segundo a defesa, o acusado sempre cumpriu integralmente as medidas cautelares impostas pela Justiça e jamais descumpriu qualquer determinação judicial ou adotou comportamento que colocasse em risco a instrução do processo ou a aplicação da lei penal.

Testemunhas relataram que havia uma terceira pessoa no carro, que também recebeu atendimento médico.Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros Militar/NDTestemunhas relataram que havia uma terceira pessoa no carro, que também recebeu atendimento médico.Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros Militar/ND

Os advogados também contestam um dos fundamentos utilizados para decretar a prisão preventiva: a possibilidade de contato com testemunhas. Conforme a defesa, essa hipótese “não passou de uma conjectura”, sem qualquer elemento concreto apresentado no processo que a justificasse, e nunca houve tentativa de interferência na investigação.

Ainda de acordo com a defesa, a decisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina restabeleceu o entendimento adotado inicialmente pelo juízo da Comarca de Joaçaba, no sentido de que as medidas cautelares diversas da prisão eram suficientes para garantir o andamento do processo.

Os defensores ressaltam que a gravidade da acusação, a repercussão do caso e o resultado do acidente, por si sós, não constituem fundamento legal para a decretação da prisão preventiva, sendo necessária a demonstração concreta dos requisitos previstos na legislação.

Fonte: ND Mais

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