Conta de luz e alimentos pressionam inflação em SC enquanto preços recuam no país

Santa Catarina seguiu na contramão do resultado nacional da inflação em agosto. Enquanto o Brasil registrou deflação de 0,32%, os preços avançaram 0,35% no estado, com destaque para os aumentos da energia elétrica e dos alimentos.

O resultado catarinense foi apurado pelo Índice de Custo de Vida (ICV), do Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas da Esag/Udesc. Com a variação de agosto, a inflação acumula 4,40% desde o início do ano e 5,18% nos últimos 12 meses.

A conta de luz teve influência importante no resultado. Agosto foi marcado pela revisão tarifária da Celesc e a energia elétrica residencial ficou, em média, 9,25% mais cara. Com isso, o grupo Habitação apresentou avanço de 0,95%.

Outra pressão veio dos alimentos. O grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 0,60%, enquanto os produtos destinados ao consumo dentro de casa subiram 0,86%. Entre os aumentos aparecem cereais e leguminosas, com 3,04%; panificados, com 1,92%; e carnes, com 1,39%. As frutas seguiram o caminho contrário e ficaram 5,53% mais baratas.

A alimentação também chama atenção quando considerado um período mais longo. Nos últimos 12 meses, os preços do grupo acumulam alta de 9,33% em Santa Catarina, acima dos 5,18% registrados pelo índice geral.

Outros grupos que ficaram mais caros em agosto no estado foram Artigos de Residência, com alta de 1,02%, e Despesas Pessoais, com 1,75%. Já Vestuário apresentou queda de 1,61%, Transportes de 0,37%, Comunicação de 0,31%, Educação de 0,19% e Saúde e Cuidados Pessoais de 0,13%.

Brasil registra maior deflação em quatro anos

No cenário nacional, o movimento foi diferente. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, recuou 0,32% em agosto, a maior deflação registrada desde agosto de 2022. A inflação brasileira acumula 3,11% no ano e 4,22% em 12 meses.

Curiosamente, a energia elétrica, que pressionou os preços em Santa Catarina, ajudou a derrubar o índice nacional. Com os efeitos do Bônus Itaipu, a conta de luz residencial teve redução média de 7,63% no país. O grupo Habitação, consequentemente, caiu 1,87%.

Também houve redução nos Transportes, de 0,86%, influenciada pelas passagens aéreas, que ficaram 13,17% mais baratas, e pelos combustíveis, com queda de 0,91%. Alimentos e Bebidas apresentaram recuo de 0,34%.

Apesar da queda registrada no mês no país, os preços acumulados e o custo do crédito continuam afetando o orçamento familiar. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio referente a julho aponta que 82% das famílias brasileiras tinham dívidas e 29,8% possuíam contas em atraso.

Fonte: NSC Total.

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