Antes e depois de Alessandra Schäffer revelam a evolução da reconstrução facial após o grave acidente em SC.Foto: Arquivo pessoal/ND Mais
“Eu não me reconheço.” A frase, dita em tom de desabafo e honestidade, não carrega um tom de derrota, mas o início de uma jornada de coragem. Após sobreviver a um grave acidente de trânsito em fevereiro que fraturou seu rosto e exigiu cirurgias complexas de reconstrução nasal, a doula Alessandra Libioda Schäffer, de 28 anos, de Luzerna, no Meio-Oeste catarinense, transformou o choque diante do espelho em uma lição de resiliência.
Em meio ao desafio de encarar uma nova imagem e assimilar enxertos e procedimentos delicados, Alessandra escolheu olhar para as marcas com gratidão pela vida e decidiu compartilhar seu processo publicamente com um propósito maior: inspirar, acolher e estender a mão a quem também precisa recomeçar.
O impacto e a gratidão de um “milagre”
Alessandra, o esposo Victor e a filha do casal, Elora, sofreram o acidente no dia 13 de fevereiro de 2026 em Águas Mornas, enquanto se deslocavam para Florianópolis para visitar familiares.
O carro em que a família estava colidiu contra um caminhão. Com o impacto, o veículo rodou na pista e parou no acostamento.
Alessandra, que estava no banco traseiro, bateu o rosto contra uma estrutura de metal próxima à janela. Felizmente, nem seus familiares nem o motorista do caminhão se feriram.
Após fraturar o rosto em um acidente, Alessandra enfrenta um delicado processo de reconstrução facial e inspira outras pessoas com sua história.Foto: Arquivo pessoal/ND Mais
Ela viu o próprio reflexo pelo espelho retrovisor assim que abriu os olhos e percebeu a gravidade do ferimento.
“Tinha muito sangue no meu rosto, mas eu não me assustei. Quando olhei para o lado, vi minha filha bem e meu marido me acalmando, só consegui pedir para Deus colocar bons médicos no meu caminho”, relembra.
Os desafios do espelho e a busca pela identidade
Com o impacto da batida, Alessandra Schäffer fraturou o osso nasal e perdeu a columela — a estrutura central que separa as narinas e sustenta a ponta do nariz.
O primeiro procedimento cirúrgico foi focado em devolver a funcionalidade respiratória, denominado de retalho paramediano frontal. Um otorrinolaringologista tratou a fratura óssea, enquanto um cirurgião plástico iniciou a reconstrução da pele.
Mesmo diante das cicatrizes, Alessandra escolheu transformar a reconstrução facial em uma mensagem de resiliência.Foto: Arquivo pessoal/ND Mais
“Para fazer a reconstrução, o médico precisou retirar um pedaço de pele da minha testa. Fiquei três semanas com o enxerto ligado ao nariz, parecendo uma ‘tromba’ de elefantinho mesmo”, explica Alessandra Schäffer.
Nesse período, a rotina envolveu viagens semanais de Luzerna à capital catarinense para a troca de curativos e o acompanhamento rigoroso da cicatrização. Após a conclusão da primeira fase, ela passou pela segunda cirurgia para a retirada do retalho.
A vaquinha e os próximos passos da reconstrução facial
Para custear as etapas seguintes da reconstrução, Alessandra realizou uma mobilização on-line e arrecadou R$ 20 mil. O valor será destinado a dois procedimentos combinados que ocorrerão no mesmo dia: uma rinoplastia reconstrutiva, para devolver a harmonia ao nariz, e uma frontoplastia, para reduzir a cicatriz da testa.
“Minha vida mudou para sempre. Apesar dos pensamentos confusos e de toda a demanda para administrar, eu me sinto grata pela vida. Sigo na esperança de que os caminhos se abram para restaurar meu nariz, ou que Jesus me dê forças para aceitar minha nova aparência a partir de agora”, desabafa.
Após perder parte da estrutura do nariz, Alessandra Schäffer segue em reconstrução facial com novas cirurgias previstas.Foto: Arquivo pessoal/ND Mais
“Compartilhar me deixou leve”, afirma Alessandra Schäffer
Foi durante o processo de recuperação que a dor virou propósito. Alessandra percebeu que, ao abrir sua história de forma transparente nas redes sociais, o peso emocional diminuía e sua experiência passava a servir como um farol de esperança para outras pessoas.
“Eu não imaginei que compartilhar o processo iria me deixar tão leve. Acredito que minha experiência possa ajudar de alguma forma quem estiver passando por situações semelhantes”, reflete.
Com coragem e esperança, Alessandra Schäffer compartilha a própria história para incentivar outras pessoas.Foto: Arquivo pessoal/ND Mais
Ela pontua que, diante de um trauma grave, é comum focar apenas na dor e perder a perspectiva do todo. “Vejo que estou conseguindo lidar bem com a situação e recebo muito apoio. Mas é difícil de descrever, sabe? Ainda não me reconheço”, conclui, reafirmando que a coragem não é a ausência do medo, mas a decisão de continuar caminhando.
Para Alessandra, o gesto de compartilhar o processo de cicatrização e as angústias da nova imagem é uma extensão do seu propósito de vida. Como doula, sua vocação sempre foi a de acolher a dor alheia e, ao abrir sua história sem filtros, ela percebeu que também podia estender a mão a quem busca forças para recomeçar.
Fonte: ND Mais
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