A produção de ovos movimentou R$ 1,8 bilhão em Santa Catarina em 2025 e vem ampliando sua participação no agronegócio estadual. O valor corresponde a 2,4% do Valor da Produção Agropecuária (VPA) catarinense e coloca a avicultura de postura na 11ª posição entre as atividades de maior relevância econômica do setor.
O desempenho financeiro acompanha o avanço da produção. No ano passado, Santa Catarina chegou a 121 milhões de dúzias de ovos destinados ao consumo, o maior volume desde o início da série histórica, em 2012. Com o resultado, o estado ficou na décima posição entre os produtores brasileiros e respondeu por aproximadamente 3% da produção nacional, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A atividade segue apresentando crescimento em 2026. No primeiro semestre, o volume produzido aumentou 1% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Atualmente, Santa Catarina possui pouco mais de 5 milhões de galinhas poedeiras e cerca de 200 produtores comerciais cadastrados pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).

(Foto: Divulgação/Epagri)
Alimentação representa maior parte dos custos
Apesar dos números positivos, os produtores enfrentam desafios relacionados principalmente ao custo de produção. A alimentação das aves representa aproximadamente 60% do custo dos ovos, segundo o analista de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri/Cepa, Alexandre Luís Giehl.
O milho, por sua vez, corresponde a cerca de 65% da composição da ração, fazendo com que as oscilações no preço do grão tenham impacto direto sobre as margens dos produtores.
Santa Catarina apresenta ainda uma diferença significativa entre a produção e a demanda pelo cereal. O estado consome aproximadamente 8,5 milhões de toneladas de milho por ano, das quais cerca de 98% são destinadas à alimentação animal. Na safra 2025/26, a produção catarinense ficou em 2,70 milhões de toneladas.
Em 2025, a elevação dos preços do milho pressionou os custos da atividade e também contribuiu para o encarecimento dos ovos. Mais recentemente, os custos apresentaram maior estabilidade, enquanto o produto vendido pelos produtores ficou mais barato. Em setembro deste ano, os preços dos ovos estavam quase 17% abaixo dos registrados no mesmo mês de 2025, considerando a inflação medida pelo IGP-DI.

(Foto: Divulgação/Epagri)
Consumo deve chegar a 307 ovos por habitante
Mesmo diante dos desafios relacionados aos custos, a expectativa para a cadeia permanece positiva, especialmente pelo aumento do consumo.
A projeção para 2026 é de que o consumo brasileiro chegue a 307 ovos por habitante, crescimento de 6,6% em relação ao ano passado. A tendência de aumento da procura no mercado interno, somada à ampliação dos destinos de exportação, deve contribuir para sustentar a atividade nos próximos anos.
Outro ponto de atenção para o setor é a sanidade dos plantéis, principalmente diante do risco da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP). A vigilância sanitária é realizada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Cidasc com o objetivo de preservar a condição sanitária das criações comerciais catarinenses.

Município catarinense se destaca na produção
Dentro do estado, São Ludgero, no Sul catarinense, concentra uma parcela expressiva da atividade. Somente em 2025, o município produziu 49,8 milhões de dúzias de ovos, conforme dados do IBGE.
O volume representa mais de um quarto de toda a produção catarinense destinada ao consumo, considerando também produtores de pequena e média escala.
A importância da atividade para a economia local levou São Ludgero a receber, em 2025, o título oficial de “Capital Catarinense da Produção de Ovos Comerciais de Galinha e de Codorna”. O reconhecimento foi estabelecido pela Lei Estadual nº 19.261/2025.
Fonte: Eagri
Rádio Líder