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A educação sexual nas escolas de Joaçaba ganhou um novo impulso com a iniciativa de integrar o conhecimento sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e prevenção ao calendário escolar, no início de cada ano letivo. A proposta idealizada pelo Ambulatório de HIV e Hepatites Virais de Joaçaba e o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) em parceria com Secretaria de Educação, foi pensada para alcançar diretamente os alunos do 8º ano, em uma fase crucial de suas vidas, quando a curiosidade sobre a sexualidade e a vida sexual começa a se manifestar.
De acordo a enfermeira responsável pelo Ambulatório de HIV e Hepatites Virais de Joaçaba, Angela Signori, o objetivo do projeto é levar aos estudantes informações claras e objetivas sobre ISTs e métodos contraceptivos. “A palestra tem uma duração de cinquenta minutos, e fazemos essa divisão em dois grupos: meninas e meninos. Percebemos que essa separação facilita a interação, aumenta o diálogo e propicia uma troca de informações mais eficaz, além de tirar dúvidas de forma mais aberta e sem constrangimento. Durante a palestra, os alunos recebem informações sobre as principais ISTs, incluindo HIV, sífilis, hepatite B, hepatite C, HPV, gonorreia, clamídia e herpes. Sobre como essas doenças são transmitidas, como se prevenir, e se há ou não cura, além de abordar o tratamento adequado. Outro tema essencial da conversa é o uso do preservativo, reforçando sua importância para a prevenção de doenças e gravidez indesejada. Além disso, focamos bastante no uso do preservativo, mas também falamos sobre os novos métodos disponíveis no SUS, como a profilaxia pré-exposição (PrEP) e pós-exposição (PEP), que são estratégias importantes para prevenção do HIV”, explica Angela.
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A escolha do 8º ano, segundo Angela, não foi por acaso. “Estamos falando de adolescentes que começam a se envolver com a vida sexual. Muitos chegam ao ambulatório sem o conhecimento adequado, tendo tido relações sem preservativo e sem o uso de métodos contraceptivos. Por isso, a nossa missão é proporcionar um atendimento de acolhimento, orientação e acompanhamento. Muitas vezes, esses adolescentes chegam acompanhados de suas mães, com medo e com pouca informação. E, ao longo dessa conversa, conseguimos esclarecer suas dúvidas e ajudá-los a se proteger melhor”, comenta.
Além das palestras, a equipe distribui um folder com orientações práticas, abordando desde o uso do preservativo, até características e sintomas das ISTs, e um caça-palavras educativo sobre prevenção. Esse material é uma forma de reforçar o conteúdo abordado nas palestras e garantir que os alunos tenham um recurso para consulta. E, para tornar o aprendizado ainda mais dinâmico e envolvente, o projeto inclui uma atividade lúdica: a dinâmica da batata quente. No final de cada palestra, os alunos participam de uma atividade onde passam uma caixinha enquanto a música toca. Quando a música para, quem estiver com a caixinha precisa tirar uma pergunta relacionada aos temas discutidos e responder. Isso permite avaliar o nível de compreensão dos estudantes sobre os assuntos abordados, tornando a aprendizagem mais interativa e garantindo que eles absorvam o conteúdo de forma eficaz.
A intenção é que essa conversa se torne parte do calendário escolar de forma regular, para que a prevenção seja cada vez mais natural para os adolescentes, que entendam as consequências da falta de prevenção e que, com o tempo, fiquem mais preparados.
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Fonte: Ascom