A nova safra de verão de Santa Catarina deve apresentar resultados diferentes entre as principais culturas produzidas no estado. Enquanto soja, milho, maçã, banana e tabaco têm projeção de crescimento na produção, arroz e feijão devem registrar queda em relação ao ciclo anterior.
As estimativas para a safra 2026/2027 foram elaboradas pela Epagri/Cepa e divulgadas pelo Observatório Agro Catarinense. O levantamento considera área cultivada, produtividade e produção esperada para oito culturas: arroz, feijão, milho grão, milho para silagem, soja, banana, maçã e tabaco.
Um dos principais fatores de atenção neste ciclo é o clima. O El Niño já está configurado e a previsão apresentada pela Epagri/Ciram indica que o fenômeno pode atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão. Em Santa Catarina, a expectativa é de chuva acima da média, com volumes que podem chegar a três vezes o esperado durante outubro e novembro.
O excesso de umidade pode atrasar o plantio, favorecer o aparecimento de doenças e diminuir os períodos disponíveis para trabalhos no campo e para a colheita. Por isso, os resultados ainda podem sofrer alterações conforme o comportamento do clima ao longo da safra.
Arroz
A produção catarinense de arroz deve diminuir nesta safra, mesmo com a área plantada praticamente igual à do ciclo anterior.
A estimativa é de 143,4 mil hectares cultivados e produção de aproximadamente 1,22 milhão de toneladas, redução de 5,8%. A queda está relacionada principalmente à expectativa de menor produtividade das lavouras.
Araranguá continua como a principal região produtora, seguida por Criciúma, Joinville, Tubarão e Rio do Sul.
No mercado, o preço médio parcial registrado em setembro chegou a R$ 70,18 pela saca de 50 quilos, alta de 7,85% em relação a agosto.

Feijão
O feijão apresenta uma das maiores reduções de área previstas para a safra 2026/2027. A expectativa é de aproximadamente 22 mil hectares plantados, quase 18% a menos que no ciclo anterior.
Mesmo com uma previsão de aumento superior a 6% na produtividade, a redução da área deve pesar no resultado final. A produção catarinense está estimada em 45 mil toneladas, queda de 13%.
Canoinhas concentra a maior parcela da área cultivada, seguida por Xanxerê e Campos de Lages.

Milho grão
Para o milho grão, a expectativa é positiva. A área plantada deve aumentar 2,5%, chegando a pouco mais de 272 mil hectares.
Com isso, mesmo diante de uma pequena redução esperada na produtividade, a produção catarinense pode alcançar 2,59 milhões de toneladas, crescimento de 1,7%.
O Meio-Oeste aparece em destaque: a Microrregião de Joaçaba concentra a maior parcela da área destinada ao milho no estado, com 18,8%, à frente de Chapecó e Xanxerê.
O plantio também está adiantado. No momento do levantamento, 45% da área prevista para o milho já havia sido semeada em Santa Catarina.

Milho para silagem
A produção de milho destinado à silagem também deve apresentar leve crescimento. A previsão é de 212 mil hectares cultivados, aumento de 1,5% em relação à safra anterior.
A produção estadual deve chegar a 9,96 milhões de toneladas, alta de 0,5%.
Segundo o levantamento, o aumento da área está relacionado, em parte, à maior demanda pelo produto entre os produtores de leite e à expectativa de menor impacto de um eventual El Niño sobre a cultura em comparação com a soja.
Chapecó lidera em área destinada à silagem, seguida por São Miguel do Oeste e Concórdia. No estado, 61% da área prevista já estava plantada.

Soja
Mesmo com uma pequena redução na área plantada, Santa Catarina pode colher mais soja nesta temporada.
A estimativa aponta 756,4 mil hectares cultivados, queda de apenas 0,3%. Em contrapartida, a produtividade deve crescer 2,4%, levando a produção para aproximadamente 2,98 milhões de toneladas.
Se a projeção se confirmar, serão cerca de 60,4 mil toneladas a mais, crescimento de 2,1% em relação à safra anterior.
Canoinhas concentra a maior parcela da área prevista para a soja, seguida por Xanxerê e Curitibanos.

Banana
A bananicultura catarinense também apresenta expectativa de crescimento. A área colhida deve chegar a 29,4 mil hectares, avanço de 0,7%.
A produção está projetada em aproximadamente 778,8 mil toneladas, aumento de 1,1% em comparação com a safra 2025/2026.
Joinville permanece como a principal região produtora, com cerca de 365 mil toneladas, seguida por Blumenau, Itajaí e Araranguá. As projeções atuais não consideram eventuais prejuízos que ainda possam ser provocados pelas condições climáticas ao longo do ciclo.

Maçã
A maçã apresenta uma das projeções de crescimento que mais chamam atenção, principalmente para a região de Joaçaba.
A área colhida no estado deve permanecer praticamente estável, em pouco mais de 17 mil hectares, mas a produtividade média pode aumentar 5,5%. Com isso, a produção catarinense está estimada em aproximadamente 716,9 mil toneladas, também uma alta de 5,5%.
Os Campos de Lages continuam concentrando a maior área cultivada do estado. A Microrregião de Joaçaba aparece em seguida, com 15% da área.
No Meio-Oeste, o destaque está na produtividade: a estimativa para a Microrregião de Joaçaba é de crescimento de 30,1%. A região pode produzir cerca de 91,4 mil toneladas de maçã nesta safra.

Tabaco
Para o tabaco, a estimativa inicial é de redução de 1,33% na área plantada, que deve ficar em aproximadamente 97,4 mil hectares.
Apesar disso, a expectativa de maior produtividade pode elevar a produção para 235,2 mil toneladas, crescimento de 2,46%.
Canoinhas concentra mais de 40% da área prevista para a cultura, seguida por Ituporanga e Rio do Sul. Os números ainda são preliminares e a estimativa da área plantada deverá ser atualizada em novembro, após a divulgação de novos dados pela Afubra.

Clima será decisivo para confirmar projeções
Apesar das projeções iniciais, o desempenho das lavouras dependerá principalmente das condições encontradas nos próximos meses. A previsão de um El Niño entre forte e muito forte aumenta a possibilidade de chuva acima da média, maior umidade e eventos extremos em Santa Catarina.
Os números da safra são acompanhados pela Epagri/Cepa a partir de informações coletadas nas principais regiões produtoras. Participam desse levantamento extensionistas da Epagri, cooperativas, prefeituras, sindicatos, bancos e outras instituições ligadas ao meio rural. Os dados passam posteriormente por análise e são atualizados ao longo do ciclo.
Fonte: Observatório Agro Catarinense/Epagri/Cepa
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