Dupla é condenada por matar homem com 36 facadas em Herval d’Oeste; imóvel usado no crime pode ser demolido

Dois homens foram condenados pelo Tribunal do Júri por um homicídio ocorrido em agosto de 2024, em Herval d’Oeste. As penas chegam a 23 anos de prisão. Segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a vítima foi morta com aproximadamente 36 golpes de faca depois de furtar drogas e dois celulares de uma residência utilizada como ponto de tráfico.

O crime aconteceu no imóvel conhecido como “Casa do Roque”, localizado na Rua Senhor Bom Jesus, no bairro São Jorge. Conforme a ação penal apresentada pela Promotoria de Justiça da Comarca de Herval d’Oeste, o local era utilizado para a comercialização de entorpecentes.

No dia do crime, uma operação policial ocorria na região e os traficantes deixaram a residência, abandonando alguns pertences no imóvel. Durante a ausência deles, um usuário de drogas chegou ao endereço para comprar entorpecentes e furtou drogas e dois aparelhos celulares.

Quando retornaram à casa e perceberam o desaparecimento dos objetos, os traficantes passaram a interrogar outro homem que estava no imóvel. De acordo com a denúncia, ele chegou a ser obrigado a cavar a própria cova.

A situação mudou quando o homem que havia cometido o furto retornou ao ponto de tráfico e tentou trocar um dos celulares levados da residência por mais drogas. O aparelho foi reconhecido pelos traficantes.

O homem que estava sendo interrogado foi então liberado e a nova vítima foi atraída para dentro da casa. Segundo o MPSC, os réus começaram a questionar o homem sobre o furto e passaram a torturá-lo. Aproximadamente 36 golpes de faca foram desferidos durante a agressão, causando a morte.

Após o homicídio, o corpo foi colocado na cova que havia sido aberta anteriormente pelo homem liberado pelos criminosos. O cadáver permaneceu oculto no local e foi encontrado cerca de duas semanas depois.

(Foto: Imagem criada por IA para ilustração da notícia/Líder FM)

Júri reconheceu qualificadoras

Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que o homicídio foi praticado por motivo fútil, relacionado ao furto dos celulares e das drogas, e mediante tortura.

A acusação argumentou que as dezenas de facadas foram desferidas enquanto os réus buscavam uma confissão sobre o furto, submetendo a vítima a sofrimento intenso e desnecessário. Os dois também foram acusados pela ocultação do cadáver.

Os jurados acolheram integralmente a tese apresentada pela Promotoria de Justiça.

Um dos réus foi condenado a 23 anos e um mês de reclusão. O outro recebeu pena de 20 anos e dois meses de prisão. Nos dois casos, o regime inicial de cumprimento da pena é o fechado.

Os condenados já estavam presos preventivamente durante o andamento do processo. Após a leitura da sentença, começaram a cumprir as penas e não poderão recorrer em liberdade. A execução imediata ocorre com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre condenações impostas pelo Tribunal do Júri.

MPSC busca demolição do imóvel

A chamada “Casa do Roque”, onde ocorreu o homicídio, também é alvo de uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público, que busca a demolição do imóvel.

Conforme o MPSC, investigações apontaram que a residência era utilizada por integrantes de facções catarinenses e gaúchas para o tráfico de drogas e outros crimes graves.

O Ministério Público afirma que, especialmente entre julho e agosto de 2024, diversas prisões de traficantes foram realizadas na região em um curto intervalo de tempo. Também houve apreensões de drogas, armas de fogo, dinheiro, materiais relacionados ao comércio ilegal e de um drone que, segundo a apuração, era utilizado para monitorar a Polícia Militar.

Fonte: MPSC

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