Uma cachorra morreu após ser vítima de picada de cobra na noite de quarta-feira, dia 4 de fevereiro, na rua Martinho Chaves, no Loteamento Pô do Sol, em Capinzal. O animal, chamado Luna, não resistiu mesmo após atendimento veterinário de emergência e internação.

Segundo o relato da tutora, Neiva Soster, ela estava cortando a grama quando percebeu que Luna havia ido para os fundos da residência. Ao concluir o serviço e entrar em casa, por volta das 20h36, notou que a cachorra apresentava inchaço intenso em metade do rosto.
Diante da situação, Neiva acionou o filho e a nora, que entraram em contato imediatamente com a médica veterinária, que prontamente iniciou o atendimento. Conforme a tutora, por volta das 21h01, Luna já estava medicada, recebendo soro e outros procedimentos de emergência.
Apesar da rapidez no socorro, a cachorra, que chegou a ficar internada, não resistiu. Conforme apurado, Luna foi picada duas vezes na região do focinho, o que agravou ainda mais o quadro.
A tutora destacou que o animal era dócil, brincava com os outros dois cães da família e agora deixa apenas saudade. “O amor sempre vai permanecer”, afirmou.
Luna havia sido adotada pela família, tinha cerca de um ano e meio de idade e era de porte pequeno.

O fato aconteceu na mesma rua onde no domingo, dia 08 de fevereiro, um adolescente de 17 foi picado por uma cobra jararaca.
Em entrevista, a médica veterinária Lorena Milan Tonello explicou que, pelas características do quadro clínico, a suspeita é de ataque de jararaca, uma das cobras mais peçonhentas do Brasil.
“Quando eu soube do ataque da jararaca na mesma rua, eu imediatamente me lembrei da dona Neiva e da cachorrinha Luna, que eu atendi no dia 4 de fevereiro. Eles não conseguiram visualizar a cobra, mas o inchaço muito grande e progressivo é bastante característico. Pela gravidade, imaginei que fosse jararaca”, relatou.
A veterinária destacou que mordidas na região da cabeça são extremamente graves, principalmente em animais de pequeno porte.
“Quando a mordedura é na cabeça, já é uma emergência ainda mais séria, porque o edema pode causar obstrução das vias aéreas e o animal pode parar de respirar. Além disso, o veneno provoca necrose dos tecidos, sangramentos locais e sistêmicos, é nefrotóxico, causa lesão renal, pode levar ao choque e a distúrbios de coagulação”, explicou.
Lorena afirmou que o atendimento foi realizado de forma rápida, com uso de soro antiofídico, fluidoterapia, oxigênio e monitoramento constante.
“Mesmo entrando rapidamente com o soro antiofídico, que hoje é fundamental que clínicas e hospitais tenham disponível, além da fluidoterapia para corrigir a queda de pressão e prevenir lesão renal, infelizmente não conseguimos salvar a Luna. O inchaço só aumentava. Foram duas mordeduras, provavelmente de uma cobra maior, e a Luna era uma cachorra pequena. Por volta das duas da manhã, ela veio a óbito”, relatou.
A médica também demonstrou preocupação com o aumento de registros de cobras em áreas urbanas.
“Fiquei muito impressionada, porque nunca tinha visto ataques tão seguidos, principalmente dentro da cidade. Quando vi que era na mesma rua e que houve outro registro próximo, como no bairro São Cristóvão onde apareceram duas cobras, isso chama muita atenção”, alertou.
Por fim, Lorena reforçou as orientações sobre o que fazer em caso de picada de cobra em animais domésticos.
“Não se deve fazer torniquete, não cortar a região da lesão, não sugar o local e não colocar gelo. O correto é encaminhar imediatamente o animal ao veterinário. A dona Neiva fez exatamente o que deveria ser feito: buscou ajuda o mais rápido possível. É uma emergência médica, e o tempo é determinante”, concluiu.
Fonte: Capinzal Fm
Rádio Líder