Cerca de 160 Policiais Militares recusaram receber doses de vacina contra a Covid-19 – alguns são das cidades de Capinzal, Caçador, Fraiburgo e Rio das Antas

Um dos primeiros policiais militares a receberam doses contra a Covid em Florianópolis — Foto: PMSC/Divulgação

Pelo menos 163 policiais militares assinaram termos de recusa de vacinação da Covid-19 em Santa Catarina. Documentos obtidos pela NSC mostram que os termos foram assinados em unidades da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) em 36 cidades (veja abaixo a lista das cidades). Os termos têm sido assinados desde 9 de abril, quando começou a imunização das forças de segurança no estado. Na segunda-feira (31), foram mais sete declarações.

A vacinação não é obrigatória na Polícia Militar. Ao todo, segundo a PMSC, 42% do efetivo de aproximadamente 10 mil policiais recebeu pelo menos uma das doses.

A PMSC não informou se os oficiais que se recusaram a tomar o imunizante poderão sofrer penalidades. Até as 16h desta terça-feira (1º), a PMSC também não respondeu aos questionamentos feitos pelo G1 SC sobre as recusas.

Segundo os últimos números divulgados pelo Governo do estado, a Covid-19 contaminou 2.426 policiais militares catarinenses: é cerca de 1 a cada 4 policiais contaminado. Três PMs morreram por complicações causadas pelo coronavírus.

Joinville, no Norte catarinense, é a cidade com o maior número de declarações de recusa obtidas pela NSC. Entre 14 e 16 de abril, cerca de 44 policiais dos dois batalhões da cidade manifestaram a recusa. A vacinação desses profissionais começou pela capital e Joinville antes de se expandir para as demais cidades.

Nos termos de recusa, os policiais escrevem o nome fabricante da vacina que não querem tomar. Alguns especificaram “Coronavac” e outros “Asteazeneca”, porém outros escreveram apenas “vacinação Covid-19”.

Justificativas apresentadas pelos policias militares de SC — Foto: NSC TV/Reprodução
Justificativas apresentadas pelos policias militares de SC — Foto: NSC TV/Reprodução

Em uma delas um tenente da PM escreveu “qualquer uma”. Em outro termo de recusa, um oficial escreveu: “tenho dúvidas em relação a eficácia devido instabilidade política do Brasil (sic)”.

Para o professor titular da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rafael Alcadipani, esses agentes não deveriam entrar em contato com a população.

A maior parte do público-alvo da vacinação é o efetivo da chamada “rádio-patrulha”. São as viaturas que fazem rondas e atendem ocorrências de todo tipo. O cabo Thiago Ribeiro, que atua em Palhoça, na Grande Florianópolis, afirma que os profissionais atuam em situações extremas. O cabo teve Covid no fim do ano passado e tomou a vacina.

" A gente tem que ajudar, tomando a vacina, tem pessoas que se espelham na gente", afirma o cabo da PMSC  — Foto: NSC TV/Reprodução
” A gente tem que ajudar, tomando a vacina, tem pessoas que se espelham na gente”, afirma o cabo da PMSC — Foto: NSC TV/Reprodução

“Tivemos que tirar algumas pessoas de um apartamento que sentiam alguns sintomas e não queriam ir para o hospital, para não perder o emprego. Tivemos que intervir e conduzir uma pessoa pro hospital, porque ela podia propagar a doença para outras pessoas. Conversei com pessoas, tentando incentivar e mostrar pra eles que é uma situação extrema e a gente tem que ajudar, tomando a vacina, tem pessoas que se espelham na gente, temos que ser o exemplo”, diz o cabo Ribeiro.

Segundo, o tenente Eduardo Sérgio Nunes, que comanda 60 policiais militares na Grande Florianópolis, os afastamentos causados pela doença impactaram a rotina de tropas.

“Tivemos guarnições inteiras contaminadas, tivemos afastamentos, teve situações, em semanas, tivemos 5, 6 policiais afastados em razão do Covid em momentos mais críticos “, diz o tenente Eduardo Sérgio Nunes.

O tenente, Eduardo Sérgio Nunes, afirma que afastamentos causados pela Covid-19 impactaram a rotina de toda a tropa — Foto: NSC TV/Reprodução
O tenente, Eduardo Sérgio Nunes, afirma que afastamentos causados pela Covid-19 impactaram a rotina de toda a tropa — Foto: NSC TV/Reprodução

Em toda a PMSC, os afastamentos chegaram a 4,8 mil. O tenente Eduardo Nunes afirma que todos sob seu comando entenderam o risco à saúde e a importância de se vacinar. Segundo ele, nenhum assinou o termo de recusa.

Cidades com casos de dispensa de vacina na PM

  • Lages
  • Curitibanos
  • Itapoá
  • São José
  • Schroeder
  • Corupá
  • Sombrio
  • Joinville
  • Barra Velha
  • Canoinhas
  • Ibirama
  • Santo Amaro da Imperatriz
  • Governador Celso Ramos
  • Rio do sul
  • Florianópolis
  • Guaramirim
  • Botuverá
  • Navegantes
  • Praia Grande
  • Garopaba
  • Balneário Camboriú
  • Maracajá
  • Nova Veneza
  • Chapecó
  • Ituporanga
  • Petrolândia
  • Itapema
  • Cocal do sul
  • Dionísio cerqueira
  • Capinzal
  • Anchieta
  • Rio das antas
  • Caçador
  • Fraiburgo
  • Içara
  • Imbituba

Fonte: G1

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